quarta-feira, fevereiro 09, 2005

Divagações, divagações, divagações, divagações....

Hoje estou feliz. Passei à uns dias atrás umas das melhores noites da minha vida. Foi uma coisa de divina transcendência, indefínivel e inquantificável. Na madrugada de segunda-feira, acho que descobri o que é amar alguém. Senti amor por alguém, libertei-me das minhas necessidades egocêntricas de prazer egoísta, num momento de total harmonia entre EU e eu próprio. A ideia de sagrado feminino fez todo o sentido para mim. Existe, vive-se, sente-se. Na madrugada de segunda-feira, não vi a mulher como um peluche, um objecto, uma pessoa mas como a encarnação do amor espiritual. Para mim, isso é comovente.
Estarão a perguntar o que se passou? A resposta é subliminar e subtendida. Esta noite veio confirmar aquilo que eu acho que é o amor. O amor é tudo menos eterno. Quando um dia, à alguns anos atrás, eu acreditei nessa eternidade, morri. Uma morte espiritual que nunca teve direito à ressurreição. Morri quando a eternidade do amor me foi prometida e se desvaneceu, se tornou em efemeridade, todavia, nunca perene, nunca ausente. O amor prometido de uma mulher desgasta, humilha e desonra-nos.
Na madrugada de segunda-feira, não sei se tudo mudou. Mas alguma coisa mudou, garanto.

No entanto, os versos de Ruy Belo continuam firmes, como se escritos pensando em tudo o que sinto, no esforço que faço por não sentir e por aquilo que eu finjo não sentir:

A solução da solidão compartilhada,
onde eu vejo o meu mais profundo mundo,
seria uma solução ampla e sem fundo
oposta, sem resposta, ao meu país do nada

Grandes versos. Não os vou comentar para não imprimir a minha verdade na interpretação de quem os ler. Mas, nesta vida, nem tudo é perfeito. Há frases, versos, estórias, romances que começam do nada e acabam num momento rasgado de emoção e comtemplação. O amor vive destes momentos de ânsia. Ao longo da minha vida, não aprendi a diferenciar a paixão do amor. Não conheço a diferença, vivo para eles como um faminto à procura de pão para matar a fome. A fome de paixão é uma fome cobarde, sem sabor, desejosa apenas de satisfazer o prazer carnal. De facto, já não quero esta fome. Desapareceu esta necessecidade na madrugada de segunda-feira. Graças a ti. Ela sabe quem é.

Disse,
Diogo
 
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