Mania que têm aquelas formigas acefalamente trabalhadoras em me condenarem;
aquelas formigas que passam por este mundo sem o descobrir, que vegetam sem vida nesta terra, sem saber o quão pequeninos somos, sem saberem a quão longe podemos chegar apenas vivendo a vida que alguém, sabe-se lá quem, nos deu.
Qual é o problema de eu ser uma cigarra que vive do pensamento?
Almejo mudanças e respiro liberdade, sendo ou não consentida.
Abaixo o falocentrismo, 'per favore'!
Já fui peixe, lesma e mosquito.
Hoje prefiro ser algo de substância, sentido e razão.
Cansei de mexer a colher no café.
Parei de matar moscas arrogantes com que me deparo dia-a-dia, já me resignei à sua imunda existência humana, elas são precisas.
Abandonei os casulos fétidos e desagradáveis que tanto me deram prazer instantâneo, vazio, sem textura...
Atirei as vestes do socialmente correcto que tanto me aqueceram no mar das ilusões, adeus.
Qual a razão de termos de suportar pessoas de quem abominamos?
Qual a razão que me leva a sorrir tepidamente a quem eu sei de antemão que só me quer ver na lama da imundice humana?
Hoje, tal como ontem, não encontro nenhuma razão.
Viverei kafkaniamente de hoje em diante, em honra de mim próprio, de quem eu gosto e de quem é meu amigo. Quem é meu amigo? Ainda não sei ao certo, ainda estou a rever e a renovar a minha lista telefónica.
Nesta minha nova vida à la herói da metamorfose de Kafka, cavei o muro dos desejos e nele me atirei, ávido a encontrar nada mais que a mim mesmo
Diogo